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Conheça Rio do Sul

“Ao tomar conhecimento da história de sua comunidade, de sua cidade, o indivíduo fortalece a sua identidade e fortalecendo a sua identidade, torna-se cidadão mais consciente”.

Victor Jensen

A atual região ocupada pelo município de Rio do Sul, hoje, era território histórico dos índios Xokleng. A região do Médio Vale do Itajaí começou a ser ocupada por imigrantes em 1850, após negociações com os governos imperiais, Hermann Blumenau e seu sócio Fernando Hackradt, obtiveram a concessão para a compra de uma porção de terras devolutas com o objetivo de estabelecer em território catarinense uma Companhia Colonizadora.

Os indígenas viviam dentro de um sistema cultural diferente do sistema cultural da sociedade nacional, baseado na coletividade, não tinham a concepção de limites territoriais e de separação do meu e do teu, a terra era considerada um bem comum à todos e portanto todos podiam usufruí-la. Embora a pretensão dos primeiros imigrantes fosse mudar a maneira de viver dos Xokleng aldeando-os era muito difícil mudar a sua concepção de vida, transformando-os de povo nômade-caçador em sedentário-agricultor.

O povoado de Braço do Sul foi elevado à condição de vila e sede no dia 13 de março de 1912. Através da Lei Municipal n. 61, a localidade de Braço do Sul passa a ser conhecida por Bella Alliança. V distrito de Blumenau.
O deputado Ermembergo Pelizzetti apresentou a Assembléia Legislativa, a 26 de agosto de 1930, o projeto de lei n. 26, criando o município e comarca de Rio do Sul.

Um convite impresso, em português e alemão, foi distribuído convidando a população para o ato de instalação do município, às 11 horas de 15 de abril de 1931, no prédio da antiga Intendência Municipal.
Com a ocupação dos três rios onde se formaram os primeiros bairros da cidade: Matador, Canta Galo, Itoupava, Canoas e o atual Jardim América.
A ferrovia representou um novo e importante impulso no desenvolvimento de Rio do Sul e de todo o Alto Vale do Itajaí. Até então o transporte era feito em lombo de animais até Subida, onde as mercadorias eram embarcadas e seguiam de trem até Blumenau ou Itajaí.

O nome do Bairro Fundo Canoas foi dado pela população que morava a uns 100 metros do rio. Há também relatos sobre uma comunidade de descendência austríaca que ali teria existido. Constata-se também, na história, que há uma certa distribuição étnica por bairro. Assim, o bairro Canta Galo era povoado originalmente por italianos do norte da Itália. Igualmente os italianos e seus descendentes predominavam na Valada Gropp, São Paulo, Cobras e Itoupava. O bairro Albertina era uma zona colonizada por alemães.

Há um outro aspecto a considerar com relação ao nome dos bairros: sua origem está, muitas vezes, relacionada ao nome de alguma empresa que se estabeleceu nos arredores da cidade em lugar pouco habitado. É o caso do bairro Rainha, decorrente da Fábrica de Tijolos e Telhas Rainha.
A década de 1950 caracteriza-se pela colocação de luminosos, pela numeração de casas, denominação de ruas, delimitação dos bairros, colocação de placas. Faz-se necessário lembrar que o município de Rio do Sul perdeu boa parte do seu território, principalmente no final da década de 40, com o desmembramento de alguns distritos que se tornaram novos municípios.

O crescimento econômico decorrente da indústria da madeira trouxe consigo alguns problemas sociais para a cidade. O estabelecimento de empresas fortes, tendo o extrativismo como guia, assim como a necessidade de se utilizar mão-de-obra de baixo custo, fizeram com que em determinado momento, começassem a aparecer regiões mais pobres, bem como modificação no índice de criminalidade.

Na década de 1960, há um significativo desenvolvimento no setor de transporte coletivo. A década de oitenta, começou para Santa Catarina como um todo e especial para a cidade de Rio do Sul, com o grave problema das enchentes que atingiram quase todo o Estado.
A cidade que até então tivera um crescimento urbano espontâneo e concentrara sua população na área central e ao longo dos rios, voltou –se para os morros.

Apesar de todas estas características regionais. Rio do Sul não criou mecanismos eficientes de prevenção contra as cheias, nem sequer adotou um sistema de catalogação dos níveis dos rios.

No final de década de 1950, o Brasil deu uma guinada muito grande que favoreceu o transporte rodoviário, prejudicando o ferroviário. Muitas ferrovias brasileiras foram então fechadas porque não davam mais lucros satisfatórios. A EFSC continuava operando e seu material e sua linha já eram obsoletos devido à falta de recursos e manutenção. Com a construção da rodovia BR-470, a situação da Estrada de Ferro agravou-se ainda mais. A rodovia oferecia a população a magia de se chegar onde queria em pouco tempo, além de aparecerem também, a partir de 1970, os modernos caminhões e carros. Os enormes cargueiros com mais de trinta vagões, que diariamente cruzavam pelas cidades do Vale do Itajaí, transformaram-se rapidamente em acanhados trens mistos de, no máximo, oito vagões. Foi assim que os próprios trens de passageiros, ainda transportando pessoas por preços baixíssimos, passaram a ser desprezados. Todos queriam usufruir dos modernos ônibus, mais rápidos, mais confortáveis e, acima de tudo, mais pontuais.

Religião

O início da vida religiosa em Rio do Sul confunde-se com a vinda dos primeiros imigrantes para esta região. A religião, como os demais elementos culturais, é inseparável do ser humano. Acompanham-no para onde quer que se dirija. A religião é fator importante na constituição e desenvolvimento de uma comunidade pelos laços de solidariedade que promove. Em 05/11/1933 foi inaugurada a Igreja de Cristo – evangélica. A reinaguração da igreja ocorreu em 19/06/1949. Nos dias atuais a Comunidade Evangélica é conduzida pelos pastor Adelmo Striecker.

Um dos eventos mais importantes para a igreja católica de Rio do Sul foi a criação da paróquia que, entre outras coisas, significou uma maior e mais eficiente organização da vida religiosa. As comemorações em homenagem a São João Batista perpassam todo o mês de junho. Segundo a tradição cristã, João Batista, nascido a 24 de junho e degolado na fortaleza de Maqueronte na Palestina, era primo de Jesus. Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como este. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes, além de procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de São João Batista.

A Kegelfest, juntamente com a Festa de São João, atuam como os principais divulgadores da cultura e potencialidade do município de Rio do Sul.

Fonte: KLUG, João; Dirksen, Valberto (org.). Rio do Sul: uma história. Rio do Sul: Fundação Cultural de Rio do Sul, 2000. 311 p.

Adaptação: Lucilene Juncek e Máira da Costa

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